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326 mil pessoas procuram emprego há mais de um ano em Portugal

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem divulgados, dão conta de uma realidade preocupante – mais de metade destes desempregados procura trabalho há mais de um ano e dificilmente conseguirá encontrar. É que uma parte significativa dos desempregados de longa duração tem baixas qualificações e mais de 44 anos de idade, um perfil que está completamente fora das exigências das empresas na hora de contratar.

A situação torna-se mais grave numa altura em que o Governo decidiu retirar alguns dos apoios extraordinários dados aos desempregados – como o prolongamento por seis meses do subsídio social de desemprego – e alterar as condições de atribuição dos apoios sociais. No segundo trimestre de 2010, e de acordo com o INE, 326 mil desempregados estavam nessa situação há mais de um ano (e entre estes 54 por cento procuravam trabalho há mais de dois anos). Trata-se de um aumento de 38,7 por cento face ao segundo trimestre de 2009.

Este elevado número de desempregados há mais de um ano representa já 55,3 por cento do total de desempregados, colocando a taxa de desemprego de longa duração no nível mais elevado de sempre: 5,8 por cento.

Pelo contrário, o desemprego de curta duração (há menos de 12 meses) recuou quatro por cento, sinal de que a entrada de novas pessoas no desemprego está a estancar, em contraste com os aumentos na ordem dos 50 por cento registados ao longo de todo o ano passado, quando a crise económica se estendeu ao mercado de trabalho, provocando um aumento dos despedimentos colectivos e do encerramento de empresas.

O próprio Governo admite que tem um grave problema entre mãos. Ontem, o secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, reconheceu que o desemprego de longa duração é a área “mais difícil” de recuperação do mercado de trabalho. “Temos nesse emprego de longa duração pessoas com baixa qualificação, em regra, e com idade já relativamente avançada e por isso, neste momento, essa é a zona de maior dificuldade”, disse o governante, acrescentando que “sem haver uma forte criação de emprego é muito difícil recolocar essas pessoas no mercado de trabalho”.

Ainda de acordo com os dados fornecidos ao PÚBLICO pelo INE, 74 por cento dos desempregados de longa duração não foram além do ensino básico (no total do desemprego essa proporção é de 73 por cento) e 37 por cento têm mais de 44 anos de idade (no total de desempregados a proporção é de 30 por cento).

Mas embora as estatísticas do INE dêem sinal de que entre o primeiro e o segundo trimestre do ano houve um abrandamento, impulsionado pela redução da população activa e pelo emprego sazonal – em regra o desemprego cai sempre no período de Abril a Junho -, os números continuam a ser preocupantes e dificilmente a taxa de desemprego prevista pelo Governo de 9,8 por cento será cumprida.

É certo que do primeiro para o segundo trimestre houve uma redução de 2,4 mil desempregados, mas na comparação com 2009 o desemprego continuou a subir e mais 82 mil pessoas ficaram sem trabalho, sobretudo mulheres e jovens pouco qualificados. Além disso, aumentaram os inactivos disponíveis e desencorajados, isto é, as pessoas que pretendem trabalhar mas não fizeram qualquer diligência para isso nas três semanas anteriores ao inquérito do INE ou consideram que já não vale a pena procurar. Somando estes aos 590 mil desempregados apurados oficialmente, o número de pessoas sem emprego cresce logo para os 687 mil e a taxa de desemprego para os 12,1 por cento.

Além disso, a economia continua a ter dificuldades em criar novos postos de trabalho, sinal de que os empresários ainda não acreditam na retoma. No segundo trimestre havia menos 85 mil postos de trabalho do que há um ano.

Ainda assim, o secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, considerou que a manutenção da taxa de desemprego nos 10,6 por cento é “uma boa notícia” e não resistiu a declarações de optimismo quanto ao futuro, à semelhança dos seus antecessores. “A nossa expectativa é, se a economia continuar a funcionar de forma positiva, não só mantermos essa situação de estancamento do crescimento [do desemprego], mas de que possamos vir a decrescer o número de desempregados e do desemprego”, disse, sem precisar quando é que o Governo espera estancar estes números.

Tanto a oposição como os sindicatos destoaram deste optimismo e acusaram o Governo de errar nas políticas de apoio ao emprego.

Ilhas gregas à venda para pagar dívida do Estado

Segundo o jornal britânico, um terço da área da ilha de Mykonos, um dos principais destinos turísticos do país, está à venda. Este terço da ilha pertence ao Estado, que procura um comprador para injectar capital novo e desenvolver um complexo turístico, afirmou o jornal, que cita uma fonte próxima das negociações.

Por outro lado, investidores, maioritariamente russos e chineses, estão interessados em propriedades da ilha de Rodes a pensar em futuros destinos no Mediterrâneo para os clientes, cada vez mais abastados, daqueles países.

Entre os supostos interessados está o magnata russo Roman Abramovich, o multimilionário proprietário do clube de futebol britânico Chelsea, apesar de um porta-voz ter negado qualquer investimento imediato

Segundo o portal da Internet Private Islands, a ilha de Nafsika, no mar Jónico, está à venda por 15 milhões de euros.

Por menos de dois milhões

Outras, no entanto, vendem-se por menos de dois milhões de euros, ou seja, por um preço inferior a uma casa nos bairros londrinos de Chelsea ou Mayfair, afirma o jornal.

“É algo que entristece. Vender ilhas ou zonas que pertencem ao povo grego devia ser o último recurso”, afirmou Makis Perdikaris, diretor da Greek Island Properties.

Mas, adiantou o empresário, “primeiro é importante desenvolver a economia e atrair investimentos estrangeiros e internos para criar a infra-estrutura necessária. O importante é obter financiamento”.

A City de Londres, que rejeita investir na Grécia devido ao risco desencadeado pela crise, congratulou-se com a decisão de vender algumas das ilhas gregas.

“É uma vergonha que se tenha chegado a este extremo, mas pelo menos demonstra que a Grécia está decidida a tomar todas as medidas necessárias para tentar cumprir as suas obrigações”, explicou ao jornal Gary Jenkins, analista da empresa Evolution Securies

BP vai pagar 20 mil milhões de dólares de indemnização por derrame no golfo do México

Segundo os media norte-americanos, a Administração Obama chegou hoje a acordo com a companhia petrolífera para o pagamento daquele montante, que será depositado numa conta sob um controlo independente, e que se destina a compensar os residentes da zona pelos danos causados.

O primeiro encontro frente-a-frente entre o Presidente norte-americano, Barack Obama, e a liderança da BP decorreu na Casa Branca. O fundo será gerido pelo advogado Kenneth Feinberg, que geriu já uma conta criada para indemnizar vítimas dos ataques terroristas de 11 de Setembro, de 2001.

O anúncio foi feito depois de ontem Obama ter feito uma comunicação oficial ao país a partir da Sala Oval, definindo como uma “epidemia” o derrame de mais de 378 milhões de litros de petróleo desde a explosão do poço Deepwater Horizon ao largo do estado do Luisiana, a 20 de Abril. “Vamos ter de lutar contra esta epidemia por muitos meses e talvez anos”, reconheceu o Presidente. “Vamos combater este derrame com tudo o que temos, pelo tempo que for preciso. Vamos fazer a BP pagar pelos danos que causou. E vamos fazer tudo o que for necessário para ajudar as populações do golfo a recuperar desta tragédia”, prometeu.

Dia Mundial para o Desenvolvimento Cultural

Comemora-se hoje 21/05/10 o Dia Dia Mundial para o Desenvolvimento Cultural e o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento.

A propósito da importância de diversidade cultural, sugirimos um site, da Associação Cultural Survival, ligada à protecção das línguas, territórios e culturas de povos indígenas em todo o mundo: http://www.culturalsurvival.org

Hipermercados abertos ao Domingo?

A Confederação do Comércio e Serviços (CCP) admite recorrer do parecer emitido anteontem pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e que vem considerar “grandes superfícies comerciais” todos os estabelecimentos com área superior a dois mil metros quadrados.

Na prática, a opinião da PGR vem permitir a abertura aos domingos e feriados de 86 lojas e supermercados que, até agora, estavam incluídos numa lista de 277 que tinham de estar encerrados neste período.

Ontem, João Vieira Lopes, vice-presidente da CCP, já tinha referido ao PÚBLICO que a confederação não partilha do entendimento da PGR e temia que a decisão conduzisse “a uma ainda maior liberalização dos horários”. Em comunicado, a CCP vem hoje dizer que vai enviar uma exposição ao procurador para que “seja revista a doutrina fixada no parecer em questão”. Os patrões do comércio garantem que “a análise efectuada aos vários regimes de licenciamento e que fundamentou o parecer está errada”.

A lei tem vindo a ser revista e chega a considera grandes superfícies comerciais estabelecimentos com área superior a mil metros quadrados que estão localizados em concelhos com menos de 30 mil habitantes. Neste caso, a loja teria de encerrar aos domingos e feriados. A posição da PGR, tomada na sequência de um pedido da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), vem limitar a definição de grandes superfícies comerciais a todos os estabelecimentos com mais de dois mil metros quadrados, independentemente da localização geográfica

A decisão da PGR vai conduzir “a uma nova dinâmica por parte dos grandes grupos da distribuição no sentido destes aumentarem as áreas de venda nos concelhos até 30 mil habitantes, com consequências claramente nefastas para as micro e pequenas empresas comerciais”, diz a CCP.

A Europa une forças para combater a pobreza e a exclusão social

Quase 84 milhões de europeus vivem no limiar da pobreza, o que significa que vivem num clima de insegurança e sem aquilo que a maioria das pessoas tem como garantido.

Viver na pobreza pode conduzir a outras situações problemáticas, desde não ter dinheiro para comprar comida ou roupas a viver em condições de habitação precárias ou até mesmo ao desalojamento. Viver na pobreza implica ainda ter um estilo de vida limitado que pode levar à exclusão social.

A União Europeia, inspirada pelo princípio fundador da solidariedade, uniu forças com os Estados-Membros para fazer de 2010 o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social. Os principais objectivos desta iniciativa são o alertar de consciências para estes problemas e renovar o compromisso político da UE e dos seus Estados-Membros no combate à pobreza e à exclusão social.

O Ano Europeu 2010 quer dar voz às preocupações das pessoas que têm de viver com a pobreza e a exclusão social e motivar os europeus a participarem e a ajudarem a resolver esta questão.

Esta iniciativa tem também como objectivo alterar o estereótipo e a percepção generalizada da pobreza. Abraçando dois dos princípios fundamentais da UE, solidariedade e parceria, 2010 representa uma chamada de alerta para unir esforços e combater as causas da pobreza para que todos os cidadãos possam ter um papel activo na nossa sociedade.

Organizações da sociedade civil e parceiros sociais irão juntar-se à Comissão Europeia e aos países participantes para realizarem uma série de actividades ao longo de 2010.

Em Janeiro e Dezembro irão ter lugar duas conferências a nível europeu. Eventos artísticos irão permitir criar uma ponte entre as pessoas que vivem com a pobreza e a exclusão social e o mundo criativo. Irão ainda realizar-se formações para que os meios de comunicação social e todos os decisores nesta área possam receber novas informações sobre o tema.

Vão também ser organizados eventos a nível local e nacional em todos os Estados-Membros da UE e na Noruega e Islândia. As actividades irão incluir campanhas de sensibilização, workshops e seminários de informação em escolas. Serão produzidos e distribuídos filmes, revistas e outro material de informação para ajudar as pessoas a compreender de que forma a pobreza e a exclusão social afectam as suas comunidades e para que aqueles que são afectados directamente possam conhecer melhor os seus direitos.

Figuras públicas e pessoas que já tenham vivido na pobreza serão os embaixadores desta iniciativa. O objectivo passa por aumentar a visibilidade e a credibilidade das actividades relacionadas com este Ano Europeu e levar novos públicos a participar no evento.

A Fidestra não deixará de dar o devido destaque a esta temática e fará iniciativas que evoquem o acontecimento

Opinião – Professor Isaías Afonso

 A difusão da nossa Língua e Cultura nas Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo sofre, por vezes, sobressaltos que causam as maiores apreensões.

Sempre que as crises económicas nos batem à porta, esta difusão é atingida de forma violenta,deixando os receptores cada vez mais fragilizados e longe do apregoado desejo, sempre reiterado nas cerimónias ditas oficiais, pois é de bom tom espalhar aos ventos as chamadas boas intenções.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros assumiu recentemente a responsabilidade da citada difusão à “nação peregrina em terra alheia”, centralizando todo o processo de natureza administrativa, mas deixando ao Ministério da Educação a vertente pedagógico-didáctica para complemento dos objectivos.

Neste âmbito estruturou-se o Instituto Camões, atribuindo-se-lhe 31 milhões de euros do Orçamento de Estado (OE), para consolidação da intenção, ao mesmo tempo que se procedia à nomeação da Professora Catedrática Ana Paula Laborinho, como sua Presidente.

O curriculum da docente seria mais do que suficiente para assegurar o êxito da difusão das duas componentes da nossa identidade, não fossem as suas primeiras declarações numa Conferência na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O principal objectivo do Instituto seria o de acabar com a difusão do Português, enquanto língua materna, e dar primazia à difusão na modalidade de língua estrangeira, pois era urgente e importante dar aos estrangeiros um mais fácil acesso ao conhecimento da língua de Camões e Pessoa.

Por outro lado, seria entregue aos países de acolhimento das nossas Comunidades a responsabilidade de integrar exclusivamente o Português nas suas estruturas escolares através dos respectivos curriculus.

No que diz respeito à França, a passagem do Ensino de Língua e Cultura de Origem (ELCO) para o Ensino de Língua Estrangeira (ELVE) cifrou-se num total fracasso, porque juntaram no mesmo espaço físico e temporal, alunos portugueses com alunos de outras nacionalidades, criando-se um “melting pot” apenas propício a uma simples animação linguístico-cultural, com interesse muitissimo limitado para docentes e discentes. Anuncia-se agora, com pompa e circunstância, o desaparecimento do ensino de língua materna, numa altura em que a emigração regressa ao quase “rush” migratório da década de sessenta/setenta, ao mesmo tempo que se prepara o desaparecimento das Secções portuguesas nos chamados Liceus Internacionais. Esta modalidade é a forma mais digna da nossa integração no sistema escolar francês, proporcionando, desde o CP até ao BAC, um ensino de Língua e Cultura Portuguesas, enquanto ELCO, pois a realização do Bac de Opção Internacional, face aos programas administrados de Literatura e História e Geografia de Portugal, serem feitos em Língua Materna, dada a dificuldade dos mesmos, com nível igual ao 12° ano do curriculum português. Em boa hora se apostou na abertura de Secções portuguesas pela valorização da nossa integração. Os custos financeiros dispendidos por Portugal são limitados, pois apenas se destinam ao pagamento dos salários dos professores ali colocados. A visão economicista e o receio do não cumprimento do PEC por parte do Governo, parece ser mais uma machadada, a juntar às sucessivas machadadas dadas pelos Governos do PSD e do PS, na difusão da nossa língua e cultura aos ausentes e excluídos de Portugal.

Agora até os alunos portugueses emigrados só podem ter ao seu dispor o Português, como Língua Viva Estrangeira, pois o actual Governo coloca-os no patamar de estrangeiros. A nomeação de professores, através de concursos públicos para o ensino do Português no Estrangeiro, vai igualmente chegar ao fim, para que Portugal volte a ser o “bom aluno” de Bruxelas, que cumpre os 3% da dívida pública.

Assim seja!!!!!!

Eis o futuro nas palavras da Presidente do Instituto Camões.

Escolaridade dos pais determina salários dos filhos

Portugal é um dos países onde o nível educativo dos pais mais determina o destino escolar e o nível salarial dos filhos quando estes chegam ao mercado de trabalho. Ou seja, se um jovem tem pais que estudaram pouco, tenderá a ficar-se pelo mesmo patamar, conclui um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que analisa a mobilidade social entre gerações.

 

Diz-se que existe igualdade de oportunidades e que o acesso ao ensino superior está aberto a alunos de todos os meios sociais. A garantia legal existe, mas coisa diferente é falar de obstáculos e circunstâncias que limitam a subida na escala social de forma mais subtil. É nos países do Sul da Europa, assim como em França, Reino Unido e Estados Unidos, que a mobilidade social em termos educativos e salariais é mais baixa – isto é, onde é mais difícil ascender socialmente, independentemente da origem social. Em contraste, a mobilidade tende a ser mais fácil nos países nórdicos, Austrália e Canadá, refere o relatório da OCDE agora divulgado.

Nos países do Sul da Europa, o facto de um pai ter frequentado o ensino superior aumenta o nível salarial do seu filho em, pelo menos, 20 por cento, por comparação com um filho cujo pai apenas obteve estudos secundários. Neste indicador (chamado de persistência salarial entre gerações), Portugal apresenta, em 14 países europeus analisados, a maior diferença salarial consoante os estudos dos pais no caso de os filhos serem homens; nas mulheres, o país surge também num pouco honroso segundo lugar. Voltando atrás no tempo – antes da entrada no mercado de trabalho -, constata-se que os resultados escolares no secundário são muito influenciados pelo background dos pais. Nesta análise, que inclui 30 países, os Estados Unidos são o país onde os estudos dos pais mais determinam o desempenho escolar dos filhos a este nível; a Islândia está no extremo oposto e Portugal em 12.º lugar.

Os governos têm alguns instrumentos para tentar atenuar estas desigualdades, sublinha o documento. Primeiro: não basta injectar dinheiro, é preciso que os governos usem bem as suas verbas na educação. O investimento no pré-escolar é visto como uma aposta importante, uma vez que ajuda a minimizar os efeitos do meio social de origem nas capacidades dos mais pequenos.

A mistura social de alunos nas escolas é outra estratégia vista como importante, nomeadamente para tentar contornar formas de segregação geográfica, ou seja, a tendência que leva a que alunos que vivem em bairros pobres frequentem estabelecimentos de ensino da sua zona, onde só existem crianças do mesmo nível social. Também as limitações financeiras no acesso ao ensino superior deverão ser colmatadas com sistemas de apoio escolar, como bolsas.

(In Público)

Estudantes andam a dormir?

Um estudo inédito mostra as diferenças nos hábitos de sono entre estudantes universitários de acordo com vários critérios, como o género, área e ano de curso.

Os estudantes do sexo masculino, da área de Engenharia, que frequentem o primeiro ano da faculdade e que se encontrem fora da sua área de residência, serão os que correm mais risco de ter “hábitos de sono menos consistentes com uma adequada higiene de sono”. Do outro lado, as que melhor dormem serão as estudantes não-deslocadas e dos últimos anos das áreas de Educação e Línguas. Esta é uma das conclusões do primeiro estudo realizado em Portugal sobre os padrões do sono em alunos universitários. A investigadora da Universidade de Aveiro Ana Allen Gomes coordenou o trabalho, que envolveu uma amostra de 1654 estudantes. O objectivo do projecto não era apenas saber se os estudantes dormiam mal ou bem. “Queríamos tentar perceber o impacto que isso tem no sucesso escolar”, explica Ana Allen Gomes, notando que esta pesquisa considerou múltiplas variáveis como, por exemplo, o facto de os jovens se encontrarem “deslocados”, a estudar fora da sua área de residência. E sobre a influência do sono na pauta, a investigadora concluiu que, de uma forma mais ou menos directa, ela existe. Ou seja, além da assiduidade, do tempo de estudo e outros factores, o sono importa. “Ainda há a ideia de que dormir pode ser uma perda de tempo e que vale mais a pena cortar no sono e estudar mais para, por exemplo, fazer uma “directa”.” Mas, afinal, estes estudantes que responderam aos questionários em 2001 e 2002 não faziam tantas “directas” assim. Pelo menos, não em nome do sucesso académico. Segundo o estudo, divulgado em 2009, apenas 14 por cento dos universitários afirmaram ter feito “pelo menos uma “directa”” desde o início do ano lectivo para completar tarefas escolares e 33 por cento fizeram-no “por outros motivos”. O trabalho, orientado por José Tavares (Departamento de Ciências da Educação da Universidade Aveiro) e Maria Helena Azevedo (da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, fundadora da Consulta de Distúrbios do Sono dos Hospitais da Universidade de Coimbra), avaliou a quantidade e a qualidade do sono. Entre outras conclusões, destaca-se o facto de 13 por cento dos inquiridos considerarem que têm “um problema de sono”, sendo que a queixa mais frequente (7,7 por cento da amostra) é a insónia. Por outro lado, apenas 0,9 por cento admitiram que tomam “muitas vezes ou sempre” comprimidos para ajudar a dormir. Depois há outras questões que seríamos capazes de adivinhar com bom senso: os horários de deitar e levantar que mudam da semana para o fim-de-semana, por exemplo. “Estava à espera que os estudantes tivessem hábitos menos adequados. Estava à espera de pior”, reconhece Ana Allen Gomes, que aproveita para deixar um conselho para uma boa higiene de sono: “O mais importante é manter a hora de levantar. Marcar o nosso ritmo por isso. Independentemente da hora a que nos deitamos.”

In Público