Arquivo mensal: Fevereiro 2010

Opinião – Professor Isaías Afonso

 A difusão da nossa Língua e Cultura nas Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo sofre, por vezes, sobressaltos que causam as maiores apreensões.

Sempre que as crises económicas nos batem à porta, esta difusão é atingida de forma violenta,deixando os receptores cada vez mais fragilizados e longe do apregoado desejo, sempre reiterado nas cerimónias ditas oficiais, pois é de bom tom espalhar aos ventos as chamadas boas intenções.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros assumiu recentemente a responsabilidade da citada difusão à “nação peregrina em terra alheia”, centralizando todo o processo de natureza administrativa, mas deixando ao Ministério da Educação a vertente pedagógico-didáctica para complemento dos objectivos.

Neste âmbito estruturou-se o Instituto Camões, atribuindo-se-lhe 31 milhões de euros do Orçamento de Estado (OE), para consolidação da intenção, ao mesmo tempo que se procedia à nomeação da Professora Catedrática Ana Paula Laborinho, como sua Presidente.

O curriculum da docente seria mais do que suficiente para assegurar o êxito da difusão das duas componentes da nossa identidade, não fossem as suas primeiras declarações numa Conferência na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O principal objectivo do Instituto seria o de acabar com a difusão do Português, enquanto língua materna, e dar primazia à difusão na modalidade de língua estrangeira, pois era urgente e importante dar aos estrangeiros um mais fácil acesso ao conhecimento da língua de Camões e Pessoa.

Por outro lado, seria entregue aos países de acolhimento das nossas Comunidades a responsabilidade de integrar exclusivamente o Português nas suas estruturas escolares através dos respectivos curriculus.

No que diz respeito à França, a passagem do Ensino de Língua e Cultura de Origem (ELCO) para o Ensino de Língua Estrangeira (ELVE) cifrou-se num total fracasso, porque juntaram no mesmo espaço físico e temporal, alunos portugueses com alunos de outras nacionalidades, criando-se um “melting pot” apenas propício a uma simples animação linguístico-cultural, com interesse muitissimo limitado para docentes e discentes. Anuncia-se agora, com pompa e circunstância, o desaparecimento do ensino de língua materna, numa altura em que a emigração regressa ao quase “rush” migratório da década de sessenta/setenta, ao mesmo tempo que se prepara o desaparecimento das Secções portuguesas nos chamados Liceus Internacionais. Esta modalidade é a forma mais digna da nossa integração no sistema escolar francês, proporcionando, desde o CP até ao BAC, um ensino de Língua e Cultura Portuguesas, enquanto ELCO, pois a realização do Bac de Opção Internacional, face aos programas administrados de Literatura e História e Geografia de Portugal, serem feitos em Língua Materna, dada a dificuldade dos mesmos, com nível igual ao 12° ano do curriculum português. Em boa hora se apostou na abertura de Secções portuguesas pela valorização da nossa integração. Os custos financeiros dispendidos por Portugal são limitados, pois apenas se destinam ao pagamento dos salários dos professores ali colocados. A visão economicista e o receio do não cumprimento do PEC por parte do Governo, parece ser mais uma machadada, a juntar às sucessivas machadadas dadas pelos Governos do PSD e do PS, na difusão da nossa língua e cultura aos ausentes e excluídos de Portugal.

Agora até os alunos portugueses emigrados só podem ter ao seu dispor o Português, como Língua Viva Estrangeira, pois o actual Governo coloca-os no patamar de estrangeiros. A nomeação de professores, através de concursos públicos para o ensino do Português no Estrangeiro, vai igualmente chegar ao fim, para que Portugal volte a ser o “bom aluno” de Bruxelas, que cumpre os 3% da dívida pública.

Assim seja!!!!!!

Eis o futuro nas palavras da Presidente do Instituto Camões.

Escolaridade dos pais determina salários dos filhos

Portugal é um dos países onde o nível educativo dos pais mais determina o destino escolar e o nível salarial dos filhos quando estes chegam ao mercado de trabalho. Ou seja, se um jovem tem pais que estudaram pouco, tenderá a ficar-se pelo mesmo patamar, conclui um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que analisa a mobilidade social entre gerações.

 

Diz-se que existe igualdade de oportunidades e que o acesso ao ensino superior está aberto a alunos de todos os meios sociais. A garantia legal existe, mas coisa diferente é falar de obstáculos e circunstâncias que limitam a subida na escala social de forma mais subtil. É nos países do Sul da Europa, assim como em França, Reino Unido e Estados Unidos, que a mobilidade social em termos educativos e salariais é mais baixa – isto é, onde é mais difícil ascender socialmente, independentemente da origem social. Em contraste, a mobilidade tende a ser mais fácil nos países nórdicos, Austrália e Canadá, refere o relatório da OCDE agora divulgado.

Nos países do Sul da Europa, o facto de um pai ter frequentado o ensino superior aumenta o nível salarial do seu filho em, pelo menos, 20 por cento, por comparação com um filho cujo pai apenas obteve estudos secundários. Neste indicador (chamado de persistência salarial entre gerações), Portugal apresenta, em 14 países europeus analisados, a maior diferença salarial consoante os estudos dos pais no caso de os filhos serem homens; nas mulheres, o país surge também num pouco honroso segundo lugar. Voltando atrás no tempo – antes da entrada no mercado de trabalho -, constata-se que os resultados escolares no secundário são muito influenciados pelo background dos pais. Nesta análise, que inclui 30 países, os Estados Unidos são o país onde os estudos dos pais mais determinam o desempenho escolar dos filhos a este nível; a Islândia está no extremo oposto e Portugal em 12.º lugar.

Os governos têm alguns instrumentos para tentar atenuar estas desigualdades, sublinha o documento. Primeiro: não basta injectar dinheiro, é preciso que os governos usem bem as suas verbas na educação. O investimento no pré-escolar é visto como uma aposta importante, uma vez que ajuda a minimizar os efeitos do meio social de origem nas capacidades dos mais pequenos.

A mistura social de alunos nas escolas é outra estratégia vista como importante, nomeadamente para tentar contornar formas de segregação geográfica, ou seja, a tendência que leva a que alunos que vivem em bairros pobres frequentem estabelecimentos de ensino da sua zona, onde só existem crianças do mesmo nível social. Também as limitações financeiras no acesso ao ensino superior deverão ser colmatadas com sistemas de apoio escolar, como bolsas.

(In Público)

Estudantes andam a dormir?

Um estudo inédito mostra as diferenças nos hábitos de sono entre estudantes universitários de acordo com vários critérios, como o género, área e ano de curso.

Os estudantes do sexo masculino, da área de Engenharia, que frequentem o primeiro ano da faculdade e que se encontrem fora da sua área de residência, serão os que correm mais risco de ter “hábitos de sono menos consistentes com uma adequada higiene de sono”. Do outro lado, as que melhor dormem serão as estudantes não-deslocadas e dos últimos anos das áreas de Educação e Línguas. Esta é uma das conclusões do primeiro estudo realizado em Portugal sobre os padrões do sono em alunos universitários. A investigadora da Universidade de Aveiro Ana Allen Gomes coordenou o trabalho, que envolveu uma amostra de 1654 estudantes. O objectivo do projecto não era apenas saber se os estudantes dormiam mal ou bem. “Queríamos tentar perceber o impacto que isso tem no sucesso escolar”, explica Ana Allen Gomes, notando que esta pesquisa considerou múltiplas variáveis como, por exemplo, o facto de os jovens se encontrarem “deslocados”, a estudar fora da sua área de residência. E sobre a influência do sono na pauta, a investigadora concluiu que, de uma forma mais ou menos directa, ela existe. Ou seja, além da assiduidade, do tempo de estudo e outros factores, o sono importa. “Ainda há a ideia de que dormir pode ser uma perda de tempo e que vale mais a pena cortar no sono e estudar mais para, por exemplo, fazer uma “directa”.” Mas, afinal, estes estudantes que responderam aos questionários em 2001 e 2002 não faziam tantas “directas” assim. Pelo menos, não em nome do sucesso académico. Segundo o estudo, divulgado em 2009, apenas 14 por cento dos universitários afirmaram ter feito “pelo menos uma “directa”” desde o início do ano lectivo para completar tarefas escolares e 33 por cento fizeram-no “por outros motivos”. O trabalho, orientado por José Tavares (Departamento de Ciências da Educação da Universidade Aveiro) e Maria Helena Azevedo (da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, fundadora da Consulta de Distúrbios do Sono dos Hospitais da Universidade de Coimbra), avaliou a quantidade e a qualidade do sono. Entre outras conclusões, destaca-se o facto de 13 por cento dos inquiridos considerarem que têm “um problema de sono”, sendo que a queixa mais frequente (7,7 por cento da amostra) é a insónia. Por outro lado, apenas 0,9 por cento admitiram que tomam “muitas vezes ou sempre” comprimidos para ajudar a dormir. Depois há outras questões que seríamos capazes de adivinhar com bom senso: os horários de deitar e levantar que mudam da semana para o fim-de-semana, por exemplo. “Estava à espera que os estudantes tivessem hábitos menos adequados. Estava à espera de pior”, reconhece Ana Allen Gomes, que aproveita para deixar um conselho para uma boa higiene de sono: “O mais importante é manter a hora de levantar. Marcar o nosso ritmo por isso. Independentemente da hora a que nos deitamos.”

In Público